Por que tratar a obesidade como doença muda tudo na sua saúde

A obesidade, durante muito tempo, foi vista apenas como uma questão estética, de vaidade ou mesmo como uma falta de disciplina pessoal. Felizmente, essa visão vem mudando, impulsionada por estudos sérios e pela evolução da medicina. Desde 1997, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a obesidade como uma doença crônica e multifatorial, atribuindo a ela o CID 10 E66. Essa classificação alterou profundamente o modo como devemos enxergar, prevenir e tratar a obesidade.

Reconhecer a obesidade como uma doença é o primeiro passo para transformar a relação das pessoas com a própria saúde. Quando vista sob essa perspectiva, ela deixa de ser apenas uma questão de vontade e passa a ser entendida como um problema real, com impactos sérios no organismo e que exige tratamento médico adequado.

O que significa considerar a obesidade uma doença?

Chamar a obesidade de doença não é uma maneira de estigmatizar as pessoas, mas sim de abrir caminho para que elas possam buscar ajuda sem culpa ou vergonha.

Como doença, a obesidade deixa de ser tratada com receitas próprias, dietas da moda ou soluções milagrosas. Passa a ser compreendida como um distúrbio que envolve alterações metabólicas, hormonais, inflamatórias, psicológicas e sociais. E, como qualquer doença, exige um tratamento individualizado e embasado cientificamente.

Os impactos da obesidade na saúde

A obesidade é hoje um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. Segundo dados da própria OMS, a obesidade triplicou desde 1975. Estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo sejam obesas, sendo 650 milhões adultos, 340 milhões adolescentes e 39 milhões de crianças.

Considerar a obesidade como doença permite compreender por que ela está tão ligada a várias outras condições graves. Ela é considerada fator de risco ou causa direta de diversas doenças modernas, como:

  • Diabetes tipo 2
  • Hipertensão arterial
  • Apneia do sono
  • Doenças cardiovasculares
  • Cânceres (como mama, próstata e cólon)
  • Dislipidemias (colesterol e triglicerídeos elevados)
  • Esteatose hepática (gordura no fígado)
  • Problemas articulares e musculares

A obesidade também prejudica a saúde mental, contribuindo para quadros de ansiedade, depressão, baixa autoestima e isolamento social.

Obesidade: doença inflamatória, hormonal e metabólica

A ciência hoje entende a obesidade como uma doença inflamatória de baixo grau, crônica e silenciosa. Ela desregula vários eixos hormonais do organismo, como a insulina, a leptina, o cortisol, a grelina e a tireoide.

Quando esses hormônios estão desequilibrados, o corpo entra num ciclo vicioso de compulsão alimentar, acúmulo de gordura, inflamação e ganho de peso. E o mais preocupante: o corpo vai se adaptando a esse novo padrão e dificultando cada vez mais a perda de peso.

Tratar a obesidade como uma doença é justamente entender que esse ciclo precisa ser interrompido com estratégias que envolvam corpo, mente e metabolismo.

Tratar obesidade como doença significa mais do que emagrecer

Um dos maiores equívocos é acreditar que tratar a obesidade é simplesmente perder peso. O peso na balança é apenas um dos indicadores. O tratamento da obesidade precisa levar em conta a composição corporal, o ganho de massa magra, a melhora nos marcadores metabólicos, a qualidade do sono, a saúde intestinal e a função hormonal.

Por isso, muitas vezes, uma pessoa com IMC “normal” pode estar metabolicamente doente, enquanto outra, ainda com sobrepeso, pode estar em processo de cura, com inflamação reduzida, massa magra aumentada e mais vitalidade.

Abordagem multidisciplinar: o melhor caminho

Tratar a obesidade como doença requer um olhar integral para o paciente. Nutricionistas, médicos nutrologistas, endocrinologistas, psicólogos, educadores físicos e outros profissionais de saúde precisam atuar em conjunto.

A atuação médica envolve avaliar o histórico do paciente, solicitar exames laboratoriais, identificar comorbidades, personalizar o plano alimentar, indicar atividades físicas adequadas e, quando necessário, utilizar medicamentos e suplementação.

Medicamentos modernos são aliados, não vilões

Muitos pacientes chegam aos consultórios se sentindo culpados por considerar o uso de medicamentos para emagrecer. Mas é importante entender que, em casos específicos e sob avaliação médica, eles são ferramentas poderosas e eficazes.

Medicamentos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, que atuam diretamente no sistema nervoso e nos hormônios da saciedade, têm ajudado milhares de pacientes a quebrarem o ciclo de compulsão, inflamação e ganho de peso.

O uso consciente, aliado a acompanhamento profissional e mudanças no estilo de vida, pode ser transformador.

Prevenção é a melhor estratégia, mas nunca é tarde

O ideal seria que todos nós cuidássemos da nossa saúde antes que o problema se instale. Mas mesmo que a obesidade já esteja presente, nunca é tarde para mudar.

Tratar a obesidade como doença é um convite à ação. Significa sair do julgamento, da culpa, do ciclo de tentativas frustradas e finalmente encontrar um caminho real, humano e eficaz para recuperar a saúde e a autonomia.

Uma nova forma de enxergar seu corpo e sua história

Ao entender que a obesidade é uma doença, você para de se culpar e passa a se responsabilizar. Assume o controle da sua história com empatia, com conhecimento e com o apoio de quem pode te ajudar.

Afinal, tratar a obesidade como doença é dar à sua saúde a importância que ela merece. É reconhecer que você não precisa enfrentar isso sozinho. É entender que o corpo não é seu inimigo, mas seu melhor aliado.

E com os avanços da medicina, da nutrologia e da ciência do emagrecimento, o caminho está mais claro do que nunca.

Se a obesidade é uma doença, a cura começa com informação, acolhimento e tratamento de verdade.

Foto de Dr. Flávio Madruga
Dr. Flávio Madruga

“O segredo da vida é morrer jovem o mais tarde possível.”

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